A amor nos dias atuais

Vivemos em um mundo cercado por resultados e pautado pela competitividade frente aos demais. Ainda assim, somos seres por natureza, de convivência. Durante nossa evolução como seres inteligentes, descobrimos que as relações humanas são construídas pelo respeito e confiança, principalmente com aqueles que nos cercam. Relacionarmos, uns com os outros, deixou-nos mais próximos, não apenas fisicamente, mas também em relação ao que sentimos e ao que partilhamos. Preocupar-se com o outro e com o grupo, portanto, tornou-se uma forma de sobrevivência e amparo frente os obstáculos da vida.

Com a desenvolvimento da religião e espiritualidade este vinculo tornou-se mais forte, visto que neste plano os seres humanos viram na natureza, na família, na sociedade e em um ser superior (divindade), um conotação de algo sentimentalmente plausível e intenso. Para este sentimento de acolhida, preocupação e dependência afetiva demos o nome de amor. O amor nada mais é do que um forte sentimento de afeição e apego com o outro, criado através da convivência ou das relações sociais.

Ao longo da história, porém, acabamos deixando o amor em um segundo plano. Desde a busca pela sobrevivência, passando pela intensificação dos clãs medievais, com o desenvolvimento das máquinas na Revolução Industrial, chegando ao mundo moderno em que vivemos, onde as relações são virtuais, o amor passou e passa por constantes transformações. Tais transformações ocorrem pelo fato de no mundo atual, tempo, produtividade, resultados e competitividade, são o cerne de uma sociedade próspera e eficaz. Mas neste cenário, onde fica o amor?

Sua essência, a de que não vivemos sem o outro e que devemos sempre buscar proteger, amparar e nos cercar de pessoas que tem para nossas vidas uma importância impar não mudou. O que mudou foi a maneira com que encaramos nossos sentimentos e como o definimos perante uma outra pessoa, grupo ou em relação a nós mesmos.

Não podemos dizer, portanto, que na sociedade e nos tempos atuais o amor não tem a mesma importância que em outras épocas, ou até mesmo que sua maneira de se expressar tenha sido alterada na era digital. Mas é inevitável que para se amar, devemos seguir alguns princípios básicos que não fogem de moda. Como, por exemplo, ouvir mais que falar. Ter tempo para se cultivar nossas amizades e nossa afeição com o outro. Todas circunstâncias que tornam-se constantes desafios, em uma época cercada por competitividade e desconfiança, nas boas intenções do outro e na prestatividade do ser humano perante seu semelhante.

Unisse a este fato, a dificuldade de se amar, em uma sociedade muitas vezes intolerante com aquele ou aqueles diferentes de si, essência oposta à do amor, onde se entrega o seu melhor para aquele igual ao você, independentemente de estar ou não em seu meio ou ser de seu agrado pessoal.

Enfim, o amor é um sentimento de muitas facetas, mas talvez a mais desafiadora nos dias atuais é a de se colocar no lugar do outro ou dos outros e buscar algo em comum. Ser prestativo, ainda mais com pessoas e grupos que não fazem parte necessariamente de nosso meio. E claro, ser ético e positivo frente a circunstâncias do dia dia, principalmente no mundo corporativo e na sociedade, onde somos treinados e educados desde pequenos para sermos eficientes e mais produtivos, não permitindo que haja em nossas vidas espaço para amarmos, seja os familiares, seja o cônjuge, seja os companheiros de trabalho, seja, por fim e não menos importante um desconhecido na rua.