Uma sábia e conhecida história diz que, certa vez, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.

Exclamou o advinho:

– Que desgraça, senhor!  Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.

– Mas que insolente! Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui! – gritou o sultão enfurecido.

Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem 100 açoites. Mandou que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho. Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:

– Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.

A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso e ele mandou dar 100 moedas de ouro ao segundo adivinho. Quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:

– Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com 100 açoites e a você com 100 moedas de ouro…

Respondeu o adivinho:

– Lembra-te, meu amigo, que tudo depende da maneira de dizer. Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar-se. Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra. Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta dúvida. Porém, a forma com que ela é comunicada é que tem provocado, em alguns casos, grandes problemas.

Um senhor muito rico vai à caça e leva consigo um cachorrinho dálmata para não se sentir tão só na mata.

Já na expedição, o cachorrinho começa a brincar de caçar mariposas e quando percebe está muito longe do grupo do safári. Nisso, vê que se aproxima uma onça correndo em sua direção. Ao perceber que a onça iria devorá-lo, pensa rápido no que fazer. Vê uns ossos de um animal morto e se coloca a mordê-los.

Então, quando a onça estava a ponto de atacá-lo, o cachorrinho diz em voz alta:

– Ah, que delícia esta onça que acabo de comer!

A onça para bruscamente e sai apavorada, correndo do dálmata, e pensando:

– Mas que cachorro bravo! Por pouco não come a mim também…!

Um macaco fofoqueiro, que estava trepado em uma árvore próxima e havia visto a cena, sai correndo atrás da onça para lhe contar como ela fora enganada pelo cachorro. Mas o cachorrinho percebe a manobra do macaco. O macaco alcança a onça e lhe conta toda a história.  Então, a onça furiosa, diz:

– Cachorro maldito! Vai me pagar! Agora vamos ver quem come a quem!

O macaco montou nas costas da onça e saíram correndo em direção ao cachorro.

Quando o dálmata vê a onça se aproximando, desta vez com o macaco montado em suas costas, ele começa a pensar em uma saída. Assim, ao invés de sair correndo, fica de costas como se não estivesse vendo nada, e quando a onça estava a ponto de atacá-lo o cachorrinho diz, em voz alta:

– Cadê aquele macaco preguiçoso! Faz meia hora que eu o mandei me trazer uma outra onça para comer e até agora nada! Quando ele voltar eu vou lhe dar uma surra que até o diabo sentirá dó!

A onça, ao ouvir isso, com medo e com os pelos em pé, bateu em retirada.

Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. A formiga era produtiva e feliz.

O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.

A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga. Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.

O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida. Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!

O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial. A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente a pulga (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.

A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer uma pesquisa de clima. Mas, o marimbondo, ao rever as finanças, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação. A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta empresa!

E adivinha quem o marimbondo mandou demitir?

A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.