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Porque devemos planejar?

“O planejamento não diz respeito a decisões futuras,
mas às implicações futuras de decisões presentes”
PETER DRUCKER
Escritor Austriaco



Qualquer atividade humana realizada sem qualquer tipo de preparo, é uma atividade aleatória, que conduz, em geral, o indivíduo e os grupos a destinos não esperados, altamente emocionantes e via de regra a situações piores que aquelas anteriormente existentes.

A qualidade ou sucesso de um projeto, seja social ou espiritual é fruto de um esforço direcionado de um indivíduo ou grupo para fazer algo acontecer conforme o que foi anteriormente desejado e estabelecido, portanto a qualidade somente poderá ser alcançada através de um trabalho planejado e não pelo acaso. Nunca duvide da fé, mas até ela está condicionada a um esforço específico, a dedicação e credo empenhado no esforço diário daquela mesma fé. São Tiago escreveu em sua única carta que a fé depende de um credo e uma espiritualidade vivas em nossa própria história de vida (São Tiago2, 26).


Portanto como fazer uma obra sem planejar?

O planejamento cria modificações nos processos e como consequência nas pessoas envolvidas. Ele deve sempre ser o primeiro ato de qualquer forma de organização de busca por melhores resultados e objetivos. Esse planejamento deverá ser feito nas diversas etapas da cadeia de fornecimento de um produto, serviço e/ou ação, isto é, desde a pesquisa desde a ideia inicial do projeto ou ação, até o desenvolvimento da ideia em si, passando por fim a conclusão, avaliação e disseminação do projeto, seja ele um sucesso ou não. Sim, afinal o sucesso de um projeto não depende exclusivamente de resultados positivos ou negativos e sim o que semeou a médio em longo prazos.

Utilizando esta via de regra, porque não deveríamos também planejar as ações de planejamento nos grupos sociais e espirituais?

Fica claro que a qualidade somente será conseguida se ela for planejada e que este planejamento ocorra de forma organizada, isto é, dentro de uma sequência de eventos Pré determinada. Ação esta que deve fazer parte da vida diária de todos os seres humanos. O que nos diferencia da maioria dos animais selvagens e que ao longo dos anos nos proporcionou a nossa própria sobrevivência, pode e deve fazer parte das ações que consideramos espirituais e pastorais. Portanto devemos rezar, mas acima de tudo e também, planejar.

O planejamento é um modo de trabalhar responsável, solidário e organizado.

Antes de tudo, é um modo de trabalhar na Igreja, empresa, grupo ou instituição. Salienta-se assim o papel ativo e disponível que todo membro de um grupo ou instituição deve desempenhar para cumprir sua missão ou objetivo.

Além disso, e um modo de trabalhar responsável, ou seja sério, pensado, comprometido. Como de uma pessoa que tem consciência de que o trabalho que desempenha é um assunto mais importante da sua vida. Essa responsabilidade leva a distanciar-se das improvisações e do deixar-se levar por entusiasmos superficiais e pouco duradouros.

É também um modo de trabalhar solidário que leva em consideração que cada membro de um grupo de trabalho tem uma função e deve desempenha-la da melhor e mais eficiente forma possível.

Por último, é um modo de trabalhar organizado, porque determina bem o que é preciso fazer, o modo de fazê-lo e as responsabilidades de cada um, dentro de uma distribuição adequada do trabalho.

Pois bem, para conseguir um trabalho assim, é necessário, antes de tudo, saber para onde vamos e o que queremos conseguir. Por isso, o ponto de partida de um bom planejamento consiste em fixar bem os objetivos, as metas a alcançar. Todavia, a seguir, é preciso descobrir os meios adequados para se aproximar delas. E assim chegamos a um segunda definição, que esclarece e concretiza a primeira:

O planejamento consiste em determinar os objetivos que devem ser conseguidos em meio organizar os meios para alcançar.

Chegamos a uma conclusão importante, mas interessa-nos continuar aprofundando todas as suas aplicações.

Se falarmos de ‘‘objetivos que devem ser conseguidos’’ é porque não estamos satisfeitos com a realidade que temos e queremos melhorá-la. Desde modo, descobrimos que planejamento é um instrumento para renovar o grupo e a instituição ou uma pastoral, por exemplo, um fator de mudança.

Pois bem, a experiência ensina que o povo não aceita imediatamente as mudanças, sobretudo se não conhece as razões que existem para mudá-las ou não está convencido do que se quer conseguir. Por isso, se queremos mudar uma situação, não existe alternativa senão fazer com que participem dela todas as pessoas nelas envolvidas e o julgamento da realidade, percepção da meta a ser alcançada e estabelecimento dos meios para consegui-la. Com isso, percebemos que o planejamento precisa ser também um instrumento de participação.

Também nos resta descobrir um aspecto importante: a realidade não se muda da noite para o dia. Da mesma maneira que vamos nos transformando em pessoas por um processo de crescimento e de maturação, o grupo, instituição, empresa ou a comunidade só pode crescer com base em passos sucessivos que vão aproximando-a do ideal.

E disso deduzimos que não basta propor alguns objetivos isolados, nem promover mudanças fazendo que delas participe o maior número possível de pessoas. Para fazer crescer o grupo é necessário projetar e fazer viver um processo no qual, dentro de uma continuidade, percorrem-se etapas sucessivas e recentes, dando unidade a todas as ações que participam da mudança. E isto nos leva a formular uma última definição:

O planejamento é um meio para renovar por meio de um processo de crescimento do qual participem todos os membros de um grupo, empresa e comunidade.

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