Planejamento. O que é e para que serve?

Começamos dizendo o que não é o planejamento, e assim afastamos desde já o princípio de que alguns fantasmas possam nos desorientar. Com efeito, quando alguns sacerdotes, membros de grupos espirituais ou leigos ouvem falar de ‘‘pastoral planejada’’ ou de ‘‘pastoral com objetivos’’, que vem a ser a mesma coisa, sentem uma espécie de desassossego interior. Essa reação negativa pode estar baseada em qualquer uma destas três ideias erradas sobre a questão.

A – O planejamento é uma complicação desnecessária.

Com isso se quer dizer, por um lado, torna-se muito difícil e complexo; e, por outro, que não vale a pena porque os resultados que produz são muito problemáticos.

É claro que o planejamento exige trabalho, dedicação e responsabilidade. Mas não é algo tão complicado que não possa ser entendido por qualquer pessoa normal. Todas as pessoas, por simples que sejam, são capazes de participar de uma pastoral, ou grupo que visa alcançar objetivos. E, quando ao rendimento, é a melhor forma de semear de maneira adequada, isto é, fazer chegar à proposta final e objetivo desta pastoral ou grupo.

B – O planejamento é uma simples moda

Quer-se com isto censurá-lo, difamando-o como um modismo e um retorno da cultura empreendedora, corporativista e empresarial da atualidade, e acusar o planejamento de novidade absoluta na tradição da Igreja Católica, oude outros grupos espirituais, religiosos e religiões.

Naturalmente, estes grupos, bem como a Igreja estão muito atentos a todos os progressos das ciências humanas e, de maneira especial, às que estudam as relações humanas e o trabalho em comum. Todavia o planejamento, em seu conteúdo essencial, sempre foi praticado pelos mesmos.

C – O planejamento distorce a missão sobrenatural da Espiritualidade ou da Igreja

Assim acusa-se o planejamento de esquecer, voltando-se agora para o catolicismo, que o agente principal da salvação é o Espirito Santo e que a salvação se recebe como um dom gratuito de Deus. Ou da vivência de outras espiritualidades, cujo cerne da fé é a vivência de valores morais e em comunhão com os demais membros destes grupos.

Longe de esquecer estas verdades fundamentais, o que o planejamento faz é dar seriedade à nossa colaboração para obra da graça e fazer-nos instrumentos dóceis e disponíveis a comunhão com os irmãos e com o Espírito.

Assim chegou já o momento de dizer o que é o planejamento. Começaremos por uma primeira definição e depois o aprofundaremos:

O planejamento é um modo de trabalhar responsável,

solidário e organizado.

Antes de tudo, é um modo de trabalhar na Igreja. Salienta-se assim o papel ativo, sacrificado e disponível que todo cristão deve desempenhar para cumprir a missão que recebeu superando toda preguiça, passividade e rotina.

Além disso, e um modo de trabalhar responsável, ou seja sério, pensado, comprometido. Como de uma pessoa que tem consciência de que o Reino de Deus é o assunto mais importante da sua vida. Essa responsabilidade leva a distanciar-se das improvisações e do deixar-se levar por entusiasmos superficiais e pouco duradouros.

É também um modo de trabalhar solidário que leva em consideração que a Igreja e sua missão são assuntos de todos os batizados. Opõe-se assim a todo tipo de individualismos, e lideranças absorventes e de clericalismos.

Por último, é um modo de trabalhar organizado, porque determina bem o que é preciso fazer, o modo de fazê-lo e as responsabilidades de cada um, dentro de uma distribuição adequada do trabalho.

Pois bem, para conseguir um trabalho assim, é necessário, antes de tudo, saber para onde vamos e o que queremos conseguir. Por isso, o ponto de partida de um bom planejamento consiste em fixar bem os objetivos, as metas a alcançar. Todavia, a seguir, é preciso descobrir os meios adequados para se aproximar delas. E assim chegamos a um segunda definição, que esclarece e concretiza a primeira:

O planejamento consiste em determinar os objetivos que devem ser conseguidos em meio organizar os meios para alcançar.

Chegamos a uma conclusão importante, mas interessa-nos continuar aprofundando todas as suas aplicações.

Se falarmos de ‘‘objetivos que devem ser conseguidos’’ é porque não estamos satisfeitos com a realidade que temos e queremos melhorá-la. Desde modo, descobrimos que planejamento é um instrumento para renovar o grupo ou pastoral, um fator de mudança.

Pois bem, a experiência ensina que o povo não aceita imediatamente as mudanças, sobretudo se não conhece as razões que existem para muda-las ou não está convencido do que se quer conseguir. Por isso, se queremos mudar uma situação, não existe alternativa senão fazer com que participem dela todas as pessoas nelas envolvidas e o julgamento da realidade, percepção da meta a ser alcançada e estabelecimento dos meios para consegui-la. Com isso, percebemos que o planejamento precisa ser também um instrumento de participação.

Também nos resta descobrir um aspecto importante: a realidade não se muda da noite para o dia. Da mesma maneira que vamos nos transformando em pessoas por um processo de crescimento e de maturação, a comunidade só pode crescer com base em passos sucessivos que vão aproximando-a do ideal. Jesus costumava comparar o reino de Deus a uma semente, inicialmente pequenina, mas que vai desenvolvendo pouco a pouco até se transformar em uma grande árvore.

E disso deduzimos que não basta propor alguns objetivos isolados, nem promover mudanças fazendo que delas participe o maior número possível de pessoas. Para fazer crescer o grupo ou pastoral é necessário projetar e fazer viver um processo no qual, dentro de uma continuidade, percorrem-se etapas sucessivas e recentes, dando unidade a todas as ações que participam da mudança. E isto nos leva a formular uma última definição:

O planejamento é um meio para renovar por meio de um processo de crescimento do qual participem todos os membros da comunidade.


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