Marketing Humanista

           Em um mundo digital e conectado, qual é o valor de uma empresa e produto que pensa na integridade e na dignidade do ser humano? Quais seriam os ganhos de um marketing que valoriza estratégias e ferramentas que busquem o bem estar do ser humano, no final do processo de vendas? Seria possível criar um processo de gestão, onde os valores humanos sejam prioridade em detrimento as vendas, ganhos e lucro?

            São estas perguntas que tentamos responder através do marketing humanista. Afinal, seria possível criar um marketing que tivesse o ser humano como fim e não como meio?

            A estas perguntas e a outras diversas, temos apenas uma resposta: SIM. Aliás este tipo de marketing não é uma novidade. Ele já existe a mais de 10 anos. Inicialmente criado nos Estados Unidos e tem por finalidade a utilização por parte de empresas, instituições, produtos e serviços que buscam se colocar de maneira ímpar no mundo, através de uma linguagem mais humana e com o apreço pela responsabilidade social que estes teriam frente a sociedade e a comunidade em geral.

            Este papel e responsabilidade está ligada, inclusive, ao fato de que hoje e cada vez mais, empresas e instituições precisam entende que não bastaria vender e lucrar, apenas. Hoje elas tem um público cada vez menos consumidor e mais gerador de opinião e protagonista em um mundo em rede, e ‘‘sedento’’ por qualidade de vida e bem estar, além é claro, de um mundo ainda mais preocupado com o próprio futuro na esfera ambiental. É nesse cenário que todos os que praticam algum tipo de negócio precisam estar atentos com o ser humano, em todas as fases do processo.

           Mas o marketing humanista é bem mais que isso. Estar preocupado com o seu papel frente a sociedade e com a sua responsabilidade já existia antes do marketing humanista e chamava-se: Marketing Societal. Uma mistura de social com comercial. Mas no caso do marketing humanista vai mais fundo nessa relação, utilizando ações do marketing tradicional e ferramentas do marketing digital com conteúdos e conceitos humanistas. Ao se fazer isto, busca-se assim, não apenas vender um produto ou serviço, mas agregar ao processo o crescimento e desenvolvimento dos seres humanos envolvidos.

           Por essa razão é bem obvio que o marketing humanista tenha crescido em meios onde o negócio principal seja o ser humano e sua satisfação, não a simples satisfação como consumidor e sim como usuário final de um produto, ação e serviço, que tenha como objetivo a busca de seu bem estar e qualidade de vida, como serviços médicos, estéticos, de educação e religiosos, ou ainda poderíamos agregar valor à outros ramos da economia com o marketing humanista, como por exemplo, educação física, ambiental, social, que gera criatividade e motivação, coaching, entretenimento, entre outros.

           E como isso seria feito na prática? Através das tradicionais ferramentas de marketing digital, porém com conteúdos nas mais diversas áreas da ciência humana, como filosofia, psicologia, sociologia, história, artes, antropologia, entre outras. A ideia do marketing humanista é levar as pessoas, informações do produto ou serviço, agregando aos mesmos valores que enalteçam e desenvolvam o ser humano.

          As pessoas precisam saber que aquela empresa tem uma importância no seu desenvolvimento pessoal ou comunitário. Que aquele produto é feito com responsabilidade frente ao meio ambiente, por exemplo, e que um determinado profissional pensa no bem estar de seus clientes quando presta determinado serviço.  

Human to Human

          Marketing Humanista ou também conhecido como Marketing h2h ou ainda Marketing Human to Human é uma vertente do marketing tradicional, na era do marketing 3.0, porém o h2h é uma forma de fazer, o que fazemos, com uma preocupação maior nas pessoas, seus hábitos, crescimento e seus valores. O intuito é proporcionar um novo conceito em Marketing voltado ao bem estar e desenvolvimento do ser humano, aos seus valores individuais e sociais. ‘‘Saber a real importância daquilo que se consome. Este é um dos princípios que permeia o marketing humanista e que tem ganhado espaço entre as novas gerações, principalmente, por meio do mundo digital.’’ (JORNAL DE PIRACICABA, 2018).

            O marketing humanista surgiu com uma reconfiguração do composto de marketing tradicional e vai além da satisfação das necessidades e desejos dos consumidores para criação de valores sustentáveis.

Além disso, a preocupação é utilizar o marketing humanista para desenvolver métodos e conteúdos que contribuam para o desenvolvimento humano. Utilizar dessas ferramentas facilita e auxilia na criação de uma linguagem mais acessível, moderna e eficiente para este fim, visto que nos dias atuais, de internet a imagem, a geração de informação e a rapidez dessas, fazem toda a diferença na vida das pessoas e empresas.

            A mais nova concepção de marketing, com este viés humanista é um processo baseado na geração de valores humanistas e na busca por um sistema de bem estar e integridade do ser humano. Tal inovação vem e encontro com a presente realidade de uma sociedade que busca despertar em empresas, produtos, serviços, instituições e mais profissionais o cerne do valor humano e sua dignidade humana.

            Esta realização pessoal e social, está intricadamente ligada ao consumo de produtos e serviços que sejam responsáveis socialmente com os processos de produção dignos e com o uso conscientes de recursos financeiros e ambientais. Atrelados a isso, talvez a possibilidade de contribuir de maneira eficaz com o crescimento intelectual, cultural e social de pessoas, famílias e sociedade.

Os fundamentos do marketing humanístico são baseados na filosofia humanista, que toma os indivíduos humanos como um ponto de partida e enfatiza a capacidade humana de raciocinar. Humanismo pressupõe que a natureza humana não é inteiramente dada, mas pode ser aperfeiçoado através da educação, aprendizagem (PIRSON; VAREY, 2014).

            Os fundamentos humanistas são baseados na integridade do ser humano e em seu protagonismo, frente ao um mundo em constante transformação, onde valores essenciais devem e são partilhados entre as classes e os mesmos. É uma forma de pensar e agir levando a todos, características próprias de igualdade e fraternidade, sem distinção de raça, credo, religião e sexo. É a forma concreta e certa de fazer o ser humano agente de sua própria história, gerando bem estar, dignidade, integridade e paz.

Bem estar

Integridade

            O marketing humanista tem como principal princípio a concepção de bem estar entre os agentes e pessoas envolvidas no processo. Este bem estar e sua importância está diretamente ligada ao fato de levar aos indivíduos condições positivas de saúde mental, integridade física e psicológica.

            Para tanto é necessário criar e desenvolver ferramentas de marketing que possam ser um meio de propagar condições de educação, informação, saúde, qualidade de vida, eficiência energética, alimentação e segurança.

            O marketing humanista tem na geração de bem estar uma forma de se fazer ações que possam, além de tudo, contribuir para o bem comum, não sendo exclusivamente de cunho pessoal, mas também e fundamentalmente de cunho social, agregando valor nas relações entre profissionais e seus clientes, produtos e seus consumidores, empresas e instituições e a sociedade. ‘‘… o fim ultimo do marketing humanista é que as pessoas alcancem seu potencial humano, aspecto que pode converter com o marketing social.’’ (CARVALHO; MAZZON, 2015).

            Por fim, definimos que a busca por bem estar nos processos que envolvem o marketing humanista, encontra-se na objetivação, do mesmo, em ser uma forma de propiciar as pessoas, condições favoráveis de um ambiente mais saudável, mas conectado e de melhor resposta por parte dos comércio de serviços e produtos, além de gerar valor e ser um propagador de uma sociedade mais justa e do desenvolvimento de ser humanos melhores.

              A integridade está para o marketing humanista, assim como a Ética está para a Filosofia. Desde já pedimos perdão pela fatídica comparação, mas serve para enumerarmos que no marketing humanista, tanto quanto no marketing tradicional, a ética e a responsabilidade no que diz respeito aos valores das pessoas envolvidas é algo de extrema importância e se faz importante sempre destacar, para que a mesma não seja subjugada ou desmerecida. Portanto integridade é a forma como o marketing humanista, preserva e valoriza o poder da moralidade e da ética nas tomadas de decisão.

            Deve sempre ser levado em questão, que não basta fazer qualquer tipo de marketing sem levar em consideração as consequências e os valores envolvidos no processo, bem como a integridade dos seres humanos. ‘‘É descrito como um estado sofisticado de experiência que abrange moralidade, julgamento, criatividade, capacidade intuitiva e poder analítico-racional’’ (FERGUSON, 2009).

            O marketing humanista, gera seu próprio modelo de integridade, tendo em vista sempre a busca pelas normas morais e éticas de convívio e normalidade das empresas, instituições e seus profissionais, para assim, criar condições de aplicação nos grupos, organizações e na vida das pessoas. Tal integridade pode e deve sempre estar vinculada no campo social, ético e cultural das diversas sociedades e dos seres humanos envolvidos, sem perder de foco, no entanto a geração do bem estar e da dignidade dos envolvidos, destacando e valorizando a honestidade, a boa reputação e a confiança.

Dignidade

Paz

“A noção de dignidade humana tem sido central para o progresso das sociedades, no entanto, o conceito é complexo para definir.’’ (CHOCHINOV, 2012).

            O fator dignidade está vinculado ao marketing humanista, muito mais na forma de uma ação que tem de ser diária, do que a do bem estar, como um resultado do processo em si. Tal fato é explicado pelo viés humanista, da ordem do humanismo, pois não basta a um ser humano fazer parte ativamente do processo de produção, venda/compra de um produto ou serviço, se o indivíduo não pode ser agente desse processo de forma plena.

            Isso seria possível, através não só da condição econômica, possibilitando ao indivíduo a aquisição de produtos e serviços, mas através de um senso crítico no consumo destes produtos, bem como fazer parte do processo de uma forma muito mais integrada e cheia de valor.

Esta participação se daria através de uma cadeia de valores de ponderamento, auto realização, co-responsabilidade e reciprocidade, mais condições de consumo consciente e de liberdade, estimulando a sua real participação, seu real potencial e sua plenitude na sociedade e na vida diária. (ARROYO, 217.)

            Por fim, o aspecto de dignidade é essencial em todo tipo de marketing, seja social, seja humanístico, pois é um forma real de elevar o ser humano de uma condição de consumidor há uma forma de indivíduo real, permitindo que o mesmo, não seja privado de uma participação de forma consciente e objetiva, sem abusos na ordem econômica e social, tendo em vista seu potencial e desenvolvimento enquanto ser humano, agente de suas próprias decisões e desejos.

            A paz neste contexto e no marketing humanista, não é a ausência de guerras. Aqui ela ganha uma visão muito mais empresarial e humana. Tendo como objetivo ser a real e completa assistência humana de um meio econômico em relação as pessoas presentes no processo.

            Isto dar-se através do meios e condições para que as pessoas consigam chegar de forma plena a uma condição de bem estar, dignidade e integridade, desprovidas de preocupações que possam ser fonte de dor, angustia e mesmo de privações de todo tipo.

O marketing humanista reafirma fé em direitos humanos fundamentais, em dignidade, o valor da pessoa humana e igualdade de direitos entre os seres humano, considera que a prática da tolerância, paz e segurança como interesses comuns de todas as pessoas promovem progresso social e econômico que melhoram as condições de vida (NEDELEA; NEDELEA, 2016).

            Para o objetivo desta paz, não basta apenas termos o ser humano em sua plena realização. Empresas e instituições também devem fazer sua parte, criando condições para que o marketing possa desempenhar um protagonismo social e de responsabilidade na busca por sociedades mais justas e dignas. Tais objetivos devem ser calçados em planejamentos e estratégias que valorizem o ser humano e dê destaque aos mesmos nos mais diversos processos empresarias e econômicos, buscando a paz para os envolvidos, sendo sempre este fim.

 

FONTES

ARROYO, Judith Cavazos; DÍAZ, Rogelio Puente; GIULIANI, Antonio Carlos. Regressando aos valores básicos: as propostas do Marketinh Social e Humanista. Organizações em Contexto, São Bernardo do Campo, ISSNe 19982-8756, Vol. 13, n. 25, janeiro – junho de 2017.

PIRSON , M.; Varey , R. Introduction. En: Varey , R. J.; Pirson , M. (Ed.). Humanistic Marketing. London: Palgrave Macmillan, 2014, p. 1-15.

CARVALHO , H. C.; MAZZON , J. A. A better life is possible: the ultimate purpose of social marketing. Journal of Social Marketing, v. 5, n. 2, p. 169-186, 2015.

NEDELEA , A. M.; NEDELEA , M. O. Humane Marketing, peace marketing and rebranding marketing. Ecoforum Journal, v. 5, n. 2, p. 288-91, 2016.

JORNAL DE PIRACICABA. O marketing humanista é tendência entre a novas gerações. Jornal de Piracicaba, Piracicaba, SP, 02 de março de 2018. Disponível em: https://www.jornaldepiracicaba.com.br/marketing-humanista-e-tendencia-entre-a-novas-geracoes/. Acessado em 23 de março de 2020, às 11h40.